Filha de pai ausente: consequências nos relacionamentos amorosos (guia 2026)
No artigo a seguir, eu falo da ausência do pai e das marcas que ela deixa na vida adulta. Se você se reconhece nesse tema, escrevi um livro sobre o assunto, O pai ausente, caso queira ir mais longe. Observação: coloco também à sua disposição o ScanMyLove, uma ferramenta que analisa as conversas do casal a partir de uma simples exportação, para entender melhor a dinâmica de um relacionamento.
Em resumo: As mulheres que cresceram sem pai tendem a reproduzir inconscientemente o esquema de abandono nos seus relacionamentos amorosos: atração por parceiros emocionalmente indisponíveis, necessidade excessiva de validação, oscilação entre fusão e fuga, tolerância anormal a comportamentos negligentes. Isso não é uma fatalidade: a ligação entre a ausência paterna e as escolhas amorosas é um mecanismo psicológico identificável, que pode ser desmontado e superado graças à TCC e à terapia do esquema.A ausência do pai tem consequências profundas nos relacionamentos amorosos da filha adulta: apego ansioso, dificuldade de confiar, escolha repetida de parceiros emocionalmente indisponíveis. Esses padrões, identificados pela pesquisa em psicologia do apego, não são uma fatalidade: eles podem ser compreendidos, desmontados e superados.
Pai ausente e consequências na filha adulta: 4 impactos diretos
Quatro dimensões são sistematicamente afetadas na filha que cresceu com um pai ausente, seja a ausência física (divórcio, morte, abandono) ou emocional (pai presente, mas psicologicamente indisponível):
Veja também o guia paralelo Pai ausente: consequências psicológicas na filha e no filho, para uma abordagem comparativa entre menina e menino.
Você escolhe parceiros emocionalmente indisponíveis. Você dá sem medida nos seus relacionamentos, esperando em segredo que um dia alguém a ame "o bastante". Você oscila entre uma necessidade intensa de fusão e um medo paralisante de ser abandonada. E, lá no fundo, uma vozinha sussurra que você não merece de verdade ser amada.
Se esses padrões falam com você, é possível que a ferida da ausência paterna continue influenciando silenciosamente os seus relacionamentos amorosos. Essa influência não é uma fatalidade. É um mecanismo que se compreende, se desmonta e se supera.
Sou Gildas Garrec, psicoterapeuta especializado em TCC, e acompanho regularmente mulheres cujas dificuldades relacionais têm raiz nessa ferida precoce. Veja como essa ausência molda as suas escolhas amorosas e, sobretudo, como retomar o poder sobre a sua vida afetiva.
Para ir mais longe: "Meu pai foi ausente durante a minha infância, isso afeta mesmo os meus relacionamentos amorosos?" — uma pergunta que volta o tempo todo, e à qual este artigo responde ponto a ponto.
O pai: primeira figura masculina, primeiro modelo de amor
Antes de detalhar as consequências, é essencial entender por que a ausência do pai tem um impacto tão profundo na vida amorosa de uma mulher.
O pai é, cronologicamente, a primeira figura masculina significativa na vida de uma filha. É através dessa relação que se constroem as primeiras representações do que é um homem, do que se pode esperar dele e, sobretudo, do valor que ela tem aos olhos dele.
A psicanalista Louise Grenier, na obra Filles sans père (Filhas sem pai, 2019), explica que "o olhar do pai sobre a filha é o primeiro espelho no qual ela lê o próprio valor como mulher".
Segundo as pesquisas em psicologia do desenvolvimento, a relação pai-filha influencia diretamente três dimensões fundamentais:
- A autoestima: o olhar paterno confirma ou desmente o valor pessoal da criança.
- O modelo relacional: a dinâmica pai-filha se torna um modelo inconsciente para os relacionamentos futuros com os homens.
- A segurança interior: a presença confiável do pai contribui para construir um sentimento duradouro de segurança afetiva.
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Analisar minha conversa →A atração por homens indisponíveis: um esquema de repetição
Um dos padrões mais frequentemente observados em consultório nas mulheres que cresceram sem pai é a atração recorrente por homens emocionalmente indisponíveis. Não é acaso. É um mecanismo psicológico bem documentado, que Freud chamava de "compulsão à repetição" e que a TCC analisa sob a ótica dos esquemas precoces desadaptativos (Young, 2003).
Como funciona esse esquema?
A criança que sentiu falta do amor paterno cresce com uma crença profundamente enraizada: "O amor é uma coisa que precisa ser merecida, conquistada, e que pode ser retirada a qualquer momento." Essa crença, tornada inconsciente, age como um filtro de seleção nos relacionamentos adultos.
Na prática, isso se manifesta assim:
- A atração por homens distantes: os homens calorosos e disponíveis são percebidos como "chatos" ou "fáceis demais". O homem que não retorna a ligação, que sopra o quente e o frio, ativa uma excitação que é, na verdade, a reativação da ferida de infância.
- A leitura da intermitência como amor: o reforço intermitente (presença-ausência-presença) cria uma dependência emocional comparável aos mecanismos da adição. As neurociências mostram que esse padrão ativa o circuito de recompensa de maneira mais intensa do que um relacionamento estável.
- A crença de que se pode "salvar" ou "mudar" o outro: inconscientemente, seduzir um homem indisponível e conquistar o amor dele equivale a reparar simbolicamente a ferida original. "Se ele me ama, então eu sou amável."
A dependência emocional: quando a necessidade de amor vira um abismo
A ausência do pai cria um vazio afetivo que a mulher adulta tenta preencher através dos seus relacionamentos amorosos. Esse mecanismo, quando se torna excessivo, se aproxima daquilo que os clínicos chamam de dependência emocional. Se esse "abismo" da necessidade de amor fala com você, uma autoavaliação ajuda a distinguir um apego saudável de uma dependência emocional herdada da falta paterna.
As manifestações mais comuns incluem:
- A tolerância excessiva: aceitar comportamentos inaceitáveis por medo de perder o outro. Infidelidades repetidas, falta de respeito, indiferença são minimizadas ou desculpadas.
- A hipervigilância relacional: monitorar permanentemente os sinais de distância ou de desinteresse do parceiro, interpretar a menor mudança de tom como uma ameaça.
- A incapacidade de ficar sozinha: a solidão não é vivida como um espaço de recarga, mas como uma lembrança dolorosa do abandono inicial.
- O superinvestimento: dar tudo no relacionamento na esperança de que essa generosidade seja "enfim" reconhecida e recompensada.
A idealização do parceiro: projetar o pai no namorado
Outro mecanismo frequente é a idealização do parceiro amoroso. Como não teve a oportunidade de confrontar a imagem do pai com a realidade do cotidiano, a filha de pai ausente costuma desenvolver uma visão idealizada da figura masculina.
Essa idealização se transfere depois para os parceiros:
- No início do relacionamento: o homem é percebido como perfeito, protetor, capaz de preencher todas as faltas. Essa fase de idealização é mais intensa e mais longa do que num relacionamento "comum".
- Diante da realidade: quando o parceiro se revela humano, com os seus limites e defeitos, a desilusão é brutal. Não é simplesmente uma decepção amorosa. É a reativação da decepção original.
- O ciclo se repete: sair de um relacionamento desidealizado para começar outro, movida pela mesma esperança inicial.
Esse padrão se encontra com aquilo que a TCC chama de armadilha do apego evitativo no parceiro escolhido: o homem idealizado é muitas vezes um homem que mantém distância, o que permite, paradoxalmente, preservar a idealização.
O medo do abandono: o fantasma onipresente
O medo do abandono é, sem dúvida, a consequência mais direta e mais invasiva da ausência paterna. Esse medo não se limita às situações de separação real. Ele impregna o conjunto da vida relacional.
Segundo os trabalhos de Bowlby (1969) sobre a teoria do apego, a criança que viveu um abandono real (partida do pai) ou simbólico (pai emocionalmente ausente) desenvolve um modelo interno operante no qual as figuras de apego são percebidas como potencialmente falhas. Esse modelo, uma vez instalado, colore todos os relacionamentos futuros.
As manifestações concretas:
- Antecipar o término permanentemente, mesmo quando está tudo bem.
- Testar o parceiro: provocar conflitos para verificar se ele vai ficar apesar de tudo.
- Se agarrar ou fugir: ou uma postura de dependência (se agarrar para impedir o abandono), ou uma postura evitativa (ir embora antes de ser deixada).
- Interpretar a menor distância como rejeição: uma mensagem sem resposta, uma noite cancelada, um olhar desviado viram provas de desamor.
A ferida do pai na mulher
A ferida do pai na mulher é uma marca psicológica profunda que se distingue das outras feridas de infância pela sua especificidade relacional. Ao contrário de uma carência materna, que atinge o sentimento de existência e de segurança primária, a ferida do pai na mulher afeta diretamente a capacidade de se situar diante do masculino, de se sentir legítima no desejo e de construir uma identidade feminina sólida.
Essa ferida se manifesta em três eixos principais. O primeiro é a dúvida identitária: sem o olhar validante do pai, a mulher tem dificuldade de se perceber como desejável e digna de amor. O segundo é a desconfiança relacional: cada novo relacionamento masculino é filtrado pelo prisma da ausência original, gerando uma hipervigilância que esgota a relação. O terceiro é a busca de reparação: a mulher procura inconscientemente em cada parceiro o pai que não teve, colocando o outro num papel impossível de sustentar. O que descrevo aqui, eu aprofundo em Nossas feridas arcaicas.
Os trabalhos de Louise Grenier sobre as filhas sem pai mostram que essa ferida não se limita à esfera amorosa. Ela também impacta as relações profissionais com figuras de autoridade masculinas, a capacidade de negociar, de se afirmar num ambiente misto, e a relação com o corpo e com a sedução. A mulher que carrega essa ferida pode oscilar entre dois extremos: ou uma hiperssedução destinada a captar o olhar masculino que faltou, ou um apagamento que a torna invisível.
O trabalho terapêutico sobre a ferida do pai na mulher passa por três etapas: reconhecer a realidade dessa ferida sem minimizá-la, identificar os esquemas relacionais que ela gerou e desenvolver progressivamente uma validação interna que não dependa mais do olhar masculino externo. Esse processo, acompanhado em TCC e em terapia do esquema, permite transformar uma fragilidade herdada em uma força consciente.
Consequências do pai ausente nos relacionamentos amorosos da filha
As consequências do pai ausente nos relacionamentos amorosos da filha adulta estão entre as mais documentadas da psicologia clínica. Elas se desdobram segundo um mecanismo preciso, que a pesquisa esclareceu amplamente.
A primeira consequência é a escolha repetitiva de parceiros emocionalmente indisponíveis. A filha de pai ausente integrou um modelo relacional no qual o amor está associado à falta. Um parceiro presente, estável e atento gera paradoxalmente ansiedade em vez de conforto, porque não corresponde ao modelo interno aprendido na infância. O estudo longitudinal de Sroufe et al. (2005), conduzido ao longo de 30 anos, confirma que o estilo de apego formado na infância prevê as escolhas de parceiro na vida adulta.
A segunda consequência é a dificuldade de manter a intimidade emocional. Mesmo quando a filha de pai ausente consegue se comprometer num relacionamento estável, ela pode sentir uma dificuldade persistente de se deixar conhecer em profundidade. A vulnerabilidade, necessária à intimidade, é vivida como perigosa: se mostrar como ela é significa arriscar ser julgada insuficiente — como já foi, simbolicamente, pelo pai ausente.
A terceira consequência é o ciclo idealização-desilusão. A filha de pai ausente projeta no parceiro uma imagem idealizada, carregada de todas as expectativas não atendidas pelo pai. Quando o parceiro se revela humano e imperfeito, a queda é brutal e reativa a ferida original. Esse ciclo, descrito pelos trabalhos de Jeffrey Young sobre os esquemas precoces desadaptativos, pode se repetir através de múltiplos relacionamentos sucessivos.
Enfim, a quarta consequência é a hiper-reatividade a qualquer sinal de rejeição. Uma mensagem sem resposta, um olhar desviado, um tom de voz ligeiramente distante bastam para disparar uma cascata emocional desproporcional. O cérebro da filha de pai ausente interpreta esses microacontecimentos através do filtro do abandono original, transformando situações banais em ameaças relacionais de grande porte.
As consequências na autoestima e na identidade feminina
Para além dos relacionamentos amorosos, a ausência do pai afeta em profundidade a autoestima e a relação com a feminilidade. Louise Grenier sublinha que "sem o olhar do pai, a filha precisa construir a sua identidade de mulher sem espelho".
Isso se traduz em:
- Uma dúvida crônica sobre o próprio valor: "Se nem o meu pai ficou, é porque eu não valho a pena."
- Uma dificuldade de se afirmar: diante dos homens em particular, mas também no meio profissional e social.
- Uma relação complicada com o corpo e com a sedução: oscilar entre a supervalorização da aparência física (buscar no olhar dos homens a validação que faltou) e a desvalorização de si.
- A dificuldade de aceitar elogios e amor: mesmo num relacionamento saudável, duvidar da sinceridade do outro.
A abordagem TCC: reestruturar os esquemas precoces
A boa notícia é que esses esquemas não estão gravados na pedra. A Terapia Cognitivo-Comportamental oferece ferramentas concretas e validadas cientificamente para identificá-los, compreendê-los e transformá-los.
1. Identificar os pensamentos automáticos
A primeira etapa consiste em detectar os pensamentos automáticos que surgem nas situações relacionais. Por exemplo:
- "Se ele não me ligou de volta, é porque vai me deixar." (Esquema de abandono)
- "Preciso ser perfeita para que ele fique." (Esquema de subjugação)
- "Os homens sempre acabam indo embora." (Esquema de desconfiança)
2. Reestruturar as crenças fundamentais
Para além dos pensamentos automáticos, a TCC permite trabalhar as crenças profundas, muitas vezes herdadas da infância:
- "Eu não mereço ser amada" vira "Meu pai não conseguiu ficar, mas isso não define o meu valor."
- "O amor é condicional" vira "Eu posso construir relacionamentos em que o amor é estável e confiável."
- "Eu preciso aceitar tudo para não ser abandonada" vira "Colocar limites é um ato de respeito comigo mesma."
3. Exercícios de afirmação e de exposição progressiva
A TCC propõe exercícios concretos para fortalecer a autoestima e modificar os comportamentos relacionais:
- O diário relacional: anotar todo dia uma situação relacional, o pensamento automático associado e um pensamento alternativo mais realista.
- A exposição progressiva: treinar-se a expressar uma necessidade, a colocar um limite, a tolerar um momento de solidão sem buscar imediatamente o reasseguramento.
- Os exercícios de autocompaixão: aprender a falar consigo mesma com a mesma gentileza que se ofereceria a uma amiga próxima.
O que os homens da sua vida dizem da sua ferida
Um exercício que proponho com frequência no consultório consiste em listar os parceiros significativos e identificar os pontos em comum. Se você constata que os seus relacionamentos seguem um padrão recorrente (homens indisponíveis, relações desequilibradas, términos parecidos), isso não é falta de sorte. É a expressão de um esquema que pede para ser visto e trabalhado.
O filho de pai ausente vive dificuldades diferentes, mas complementares: onde a filha tende a procurar o pai no parceiro, o filho tende a lutar com a própria identidade masculina. Compreender essas duas dinâmicas pode iluminar os relacionamentos em que os dois parceiros carregam essa ferida.
Também é importante distinguir a ausência física da ausência emocional. Um pai fisicamente presente, mas emocionalmente indisponível, pode criar os mesmos esquemas, às vezes com uma confusão a mais: "Ele estava lá, então eu não tenho o direito de sofrer."
A ausência do meu pai explica a minha dificuldade de confiar nos homens?
Sim, diretamente. O pai é a primeira figura masculina significativa na vida de uma filha, e é através dessa relação que se constrói o primeiro modelo de confiança nos homens. Quando esse pai está ausente — física ou emocionalmente —, o esquema de desconfiança e abuso identificado por Jeffrey Young se ativa: "Os homens não são confiáveis. Eles acabam indo embora ou fazendo mal." Esse esquema, formado na infância, colore depois inconscientemente cada relação masculina adulta.O mecanismo é profundamente lógico do ponto de vista do desenvolvimento. Uma criança constrói os seus modelos relacionais a partir das experiências reais, e não a partir do que gostaria que acontecesse. Quando o primeiro homem da sua vida — aquele que deveria estar lá, protegê-la, mostrar que você conta — desaparece ou se revela emocionalmente inacessível, o seu cérebro tira uma conclusão adaptativa: "Os homens não ficam. Confiar neles é perigoso." Essa conclusão era pertinente no contexto da sua infância. O problema é que ela continua funcionando na vida adulta como um filtro que deforma a realidade dos seus relacionamentos atuais.
As trajetórias de Marilyn Monroe, de Anna Nicole Smith e de Loana ilustram notavelmente esse mecanismo. Todas as três, filhas de pai ausente, reproduziram o mesmo arco: uma busca intensa de validação masculina, uma incapacidade de confiar de forma duradoura, uma oscilação entre idealização e fuga. Não é uma coincidência biográfica — é a manifestação clínica do mesmo esquema de desconfiança ativado pela mesma ferida original. A boa notícia é que esse esquema pode ser identificado e reestruturado em terapia TCC: distinguindo os medos herdados do passado das realidades do presente, você pode aprender progressivamente a avaliar a confiabilidade de um homem com base nos comportamentos atuais dele, e não com base no que o seu pai fez — ou deixou de fazer.
E se você quiser entender como esses esquemas se manifestam concretamente nas suas trocas de mensagens com o parceiro, o ScanMyLove analisa as suas conversas segundo 14 modelos clínicos, entre eles o de Bowlby e o de Young.
📖 Para ir mais longe: para entender como a ausência do pai molda os seus relacionamentos amorosos, o livro O pai ausente explora esse vínculo em profundidade.
Se libertar do esquema: um caminho possível
A tomada de consciência é a primeira etapa. A segunda é o compromisso com um trabalho terapêutico estruturado. A TCC, pela sua abordagem concreta e orientada para a ação, permite:
- Identificar com precisão os esquemas ativos nos seus relacionamentos atuais.
- Compreender a origem deles sem ficar presa ao passado.
- Desenvolver novas competências relacionais: afirmação de si, gestão das emoções, tolerância à incerteza.
- Construir progressivamente um apego mais seguro.
Para as pessoas cuja ferida paterna afetou principalmente a autoestima e a confiança pessoal, o Programa Silêncio — Reencontrar a confiança em si propõe um trabalho em profundidade sobre essas dimensões.
Você se reconhece nesses esquemas? É sinal de que alguma coisa em você está pronta para evoluir. A ausência do seu pai faz parte da sua história, mas ela não precisa escrever a continuação. No consultório ou por videochamada, eu acompanho você nesse trabalho de desconstrução e de reconstrução. Entre em contato para uma primeira conversa.
Gildas Garrec, psicoterapeuta especializado em TCC, consultório. Atendimentos presenciais e por videoconferência.
Leia também
- Pai ausente: consequências psicológicas e impacto nos relacionamentos adultos
- Filho de pai ausente: reconstruir a própria identidade masculina
- Pai presente, mas emocionalmente ausente: as consequências invisíveis
- Preciso de um psicólogo? 10 sinais que não enganam
Livro recomendado: <em>Loana — Queimada pela luz</em>: retrato psicológico de um ícone sacrificado — 15 000 palavras de análise clínica. Ebook 7,99 EUR.
Para entender a metodologia científica por trás dessa análise, vale conhecer os esquemas de Young, que servem de coluna vertebral a esta leitura.
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FAQ — Pai ausente e consequências na filha
Quais são as principais consequências de um pai ausente na filha adulta?
Quatro mecanismos psicológicos se instalam: (1) esquema de abandono interiorizado, que torna a falta familiar; (2) apego ansioso ativado por parceiros que fogem; (3) busca de reparação inconsciente — cuidar do pai através do namorado; (4) tolerância anormal à carência emocional aprendida na infância. Esses 4 esquemas se manifestam por uma atração repetida por homens indisponíveis.Por que as filhas de pai ausente atraem homens indisponíveis?
É o que a TCC chama de familiaridade da falta: o cérebro infantil aprende que "ser amada por um homem = correr atrás do amor dele". Já adulta, a mulher reconhece essa dinâmica nos parceiros distantes, fugidios ou evitativos — e a confunde com paixão. Um parceiro estável e disponível pode parecer "sem graça" em contraste com a intensidade da falta familiar. O ciclo se rompe em terapia, substituindo os circuitos dopaminérgicos da escassez pelos da segurança.
Com que idade aparecem as consequências de um pai ausente?
Os primeiros sinais aparecem já na primeira infância (dificuldades de separação, problemas de comportamento). A adolescência é o período de cristalização dos esquemas, com os primeiros relacionamentos amorosos. Na vida adulta (18-30 anos), encontram-se padrões repetitivos nas escolhas de parceiros. Sem trabalho terapêutico, esses esquemas persistem de forma duradoura, até os relacionamentos maduros (30-50 anos), quando podem se reativar durante as crises do casal.
Como saber se o meu pai foi emocionalmente ausente?
Quatro indicadores: (1) você não consegue se lembrar de momentos de escuta emocional com ele; (2) ele estava fisicamente presente, mas mentalmente em outro lugar (trabalho, tela, álcool); (3) você aprendeu a não incomodá-lo com as suas emoções; (4) os gestos de afeto dele eram raros ou condicionados ao desempenho (notas, esporte, comportamento). Se hoje você cobra dos seus parceiros masculinos aquilo que cobrava (inconscientemente) do seu pai, é provável.
Meu pai morreu jovem — isso conta como ausência paterna?
Sim, mas com uma dimensão a mais: o luto não resolvido. A filha de um pai que morreu jovem pode desenvolver uma idealização do pai perdido ("ele teria sido perfeito"), o que dificulta a aceitação de um parceiro real e imperfeito. O trabalho terapêutico combina então: (1) o luto do pai real e do pai idealizado; (2) a desconstrução do esquema de abandono; (3) a aceitação da imperfeição de um parceiro vivo.É possível se curar das consequências de um pai ausente aos 40 anos ou mais?
Sim, em qualquer idade. A neuroplasticidade não diminui com a idade — as pesquisas em neurociências (Doidge, 2007) mostram que é possível reprogramar os esquemas relacionais mesmo aos 60 ou 70 anos. O trabalho terapêutico às vezes é mais rápido em pacientes mais velhos, porque eles acumularam provas concretas da repetição do esquema, o que facilita a tomada de consciência.Qual terapia para a ferida do pai ausente na mulher?
Três abordagens comprovadas: (1) terapia do esquema de Young — trabalho específico sobre os esquemas precoces desadaptativos (abandono, rejeição, privação emocional); (2) TCC clássica — reestruturação das crenças ("eu não mereço ser amada de forma estável"); (3) EMDR para as memórias traumáticas precoces. Duração média: 12 a 18 meses. A terapia do esquema é a mais indicada segundo as metanálises.
Como quebrar o ciclo para os meus próprios filhos (meninas ou meninos)?
Quatro ações concretas: (1) fazer a sua própria terapia primeiro — você não pode transmitir o que não reparou; (2) nomear as suas emoções diante dos seus filhos (modelo de regulação); (3) se você tem um companheiro, manter um pai presente E emocionalmente disponível — ou explicar a ausência de forma factual quando for o caso; (4) prevenir: perceber na sua filha adolescente os primeiros sinais de atração por meninos distantes e conversar com ela sobre isso.É preciso perdoar o pai ausente para melhorar?
Não, não é obrigatório. O perdão não é um pré-requisito terapêutico. O que cura é a compreensão ("ele mesmo era uma pessoa ferida"), a separação simbólica ("eu não sou responsável pela ausência dele") e a reparação da criança interior. O perdão, se vier, é a cereja do bolo — não o caminho em si.Existe um teste confiável para avaliar essa ferida?
Sim, na forma de autoavaliações estruturadas. Um questionário sobre as feridas emocionais (60 questões, apoiado nos trabalhos sobre os esquemas precoces desadaptativos de Jeffrey Young) mede a intensidade da ferida de abandono ligada à ausência paterna. Um questionário sobre o estilo de apego (60 questões) mede as repercussões atuais na sua vida amorosa. Relatório personalizado em 5 minutos.
Leituras recomendadas:Para uma visão de conjunto das consequências psicológicas do pai ausente, vale ler: Pai ausente: as consequências psicológicas
- Je réinvente ma vie (Reinventando a sua vida) — Jeffrey Young
- Attachment and Loss (Apego e perda) — John Bowlby
- Quand le corps dit non (Quando o corpo diz não) — Gabor Maté
Veja também: A ferida materna e as suas consequências nos relacionamentos amorosos
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- Criar os seus filhos com um narcisista: 8 soluções que funcionam
- Por que os pais também deprimem depois do bebê
- Por que o seu adolescente afasta você (e por que isso é normal)
- Perder um pai ou uma mãe na vida adulta: por que é diferente (e como sair disso)
- 7 exercícios de TCC para curar a ferida do pai ausente
Referências
As afirmações clínicas deste artigo se apoiam nas fontes a seguir, consultáveis na literatura científica de referência:
- John Bowlby (1969). Attachment and Loss, Vol. 1: Attachment. Basic Books.
- Jeffrey Young, Janet Klosko, Marjorie Weishaar (2003). Schema Therapy: A Practitioner's Guide. Guilford Press.
- Michael E. Lamb (Ed., 2010). The Role of the Father in Child Development (5ª ed.). Wiley.
- Anna Sarkadi, Robert Kristiansson, Frank Oberklaid, Sven Bremberg (2008). Fathers' involvement and children's developmental outcomes: a systematic review of longitudinal studies. Acta Paediatrica, 97(2), 153-158.
- Mary D. S. Ainsworth, Mary C. Blehar, Everett Waters, Sally Wall (1978). Patterns of Attachment. Lawrence Erlbaum.
- Gabor Maté (2003). Quand le corps dit non : le stress qui démolit (Quando o corpo diz não). Éditions de l'Homme.
Veja também
- Pai presente, mas emocionalmente ausente
- Superar uma infidelidade no casal: 5 etapas de TCC
- 18 esquemas de Young e feridas emocionais
- Técnica da flecha descendente em TCC
- Teorias do casal: de Darwin a Gottman

A propos de l'auteur
Gildas Garrec · Psychopraticien TCC
Psychopraticien certifie en therapies cognitivo-comportementales (TCC), auteur de 16 ouvrages sur la psychologie appliquee et les relations. Plus de 1000 articles cliniques publies sur Psychologie et Serenite.
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