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Vício em celular na adolescência: entender para não reagir em excesso

O celular está no centro da vida social dos adolescentes, e no centro das preocupações dos pais. Entre as duas coisas, muitas vezes há um abismo de mal-entendidos: o que os pais percebem como um vício, o adolescente vive como uma necessidade social. E, às vezes, é o inverso que é verdade.

No artigo a seguir, abordo os vícios em telas e no digital. Se você se reconhece nesse tema, criei um teste de dependência digital que permite fazer um balanço da sua relação com as telas e os aplicativos. Ele vem acompanhado de um guia para prolongar a reflexão além dos resultados. Também escrevi um livro sobre esse assunto, Guia prático de TCC, caso queira ir mais longe.

Nem banalizar, nem catastrofizar: é a postura mais útil diante do uso do celular por um adolescente.

O que as pesquisas dizem sobre o uso do celular na adolescência

O uso intenso não é necessariamente patológico

A grande maioria dos adolescentes usa o celular várias horas por dia. Isso não basta para definir um vício. O uso problemático se reconhece não pela duração, mas pelos seus efeitos na vida cotidiana.

Um adolescente que passa 4 horas no celular, mas que dorme bem, mantém as suas amizades, faz o dever de casa e está bem psicologicamente não está numa situação de vício.

Os critérios de um uso problemático

Os pesquisadores concordam sobre vários critérios:

  • A perda de controle: o adolescente tenta reduzir o uso e não consegue, apesar de uma intenção sincera
  • A abstinência: uma agitação, uma irritabilidade ou uma ansiedade notável quando o celular não está disponível
  • A invasão: o celular toma tempo do sono, do dever de casa, das atividades físicas, das relações presenciais
  • A tolerância: necessidade de passar cada vez mais tempo para obter o mesmo efeito de bem-estar
  • A negação: minimização sistemática do uso real
A presença de vários desses critérios, em particular a perda de controle e a invasão do sono, merece atenção.

O que acontece no cérebro do adolescente

O cérebro adolescente é particularmente sensível às recompensas imediatas e aos sinais sociais. Os aplicativos são concebidos para ativar precisamente esses mecanismos: notificações, curtidas, respostas esperadas, feed infinito. O adolescente não é fraco: o seu cérebro é biologicamente mais vulnerável do que o de um adulto a esses mecanismos de ativação.

O que agrava ou protege

Fatores de risco

Um adolescente que usa o celular principalmente para fugir de um desconforto (ansiedade social, tédio, conflitos familiares, mal-estar) corre mais risco do que um adolescente cujo uso é principalmente social ou de entretenimento passivo.

O acesso ao celular sem limite à noite é um dos fatores mais documentados de perturbação do sono e de piora do bem-estar.

Fatores protetores

Regras claras e coerentes (sem celular à noite, refeições sem telas), estabelecidas sem confronto, com explicação, estão associadas a uma melhor relação com a tela entre os adolescentes. A qualidade da relação entre pais e filho protege mais do que as restrições sozinhas.


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Sobre o autor

Gildas Garrec · profissional TCC

Profissional certificado em terapias cognitivo-comportamentais (TCC), autor de 16 obras sobre psicologia aplicada e relacionamentos. Mais de 900 artigos clínicos publicados na Psychologie et Sérénité.

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