Ir para o conteúdo
Testes psicológicosCompreenda-se melhorScanMyLoveEntenda seu relacionamento

Ficar ou sair diante de um gestor tóxico: como decidir


Existe uma pergunta que volta sempre no mesmo momento da semana, geralmente no domingo no fim da tarde: eu fico ou eu saio? E há um motivo para ela voltar sem se resolver: ela é feita no pior momento, aquele em que a antecipação da semana está no máximo e a capacidade de avaliação está no mínimo.

Uma decisão desse tamanho não se toma no pico da angústia. Ela se prepara a frio, com método, em um momento escolhido.

No artigo a seguir, abordo o desengajamento e o esgotamento no trabalho. Se você se reconhece nesse tema, os testes da plataforma permitem situar seu nível de cansaço antes de decidir qualquer coisa.

Etapa 1: desembaraçar quatro coisas que se confundem

É a etapa mais frequentemente pulada e a que mais produz decisões das quais a pessoa se arrepende. Quatro causas diferentes produzem o mesmo sintoma, a vontade de sair, e pedem respostas opostas.

O gestor. Se o problema está na maneira como uma pessoa específica exerce sua autoridade, então uma mudança de equipe com o mesmo escopo pode bastar, e pedir demissão de uma profissão que você ama seria uma resposta desproporcional. O cargo. Atribuições desinteressantes, escopo que não muda mais, subutilização. Aqui, trocar de gestor não muda nada. O que muda alguma coisa é uma mobilidade interna ou uma troca de empresa mantendo a mesma profissão. A profissão. Se o conteúdo da própria atividade já não faz sentido, nenhuma reorganização vai consertar isso. É assunto de recolocação profissional, não de conflito hierárquico. O momento de vida. Luto, separação, nascimento, doença, esgotamento acumulado ao longo de vários anos. O trabalho passa a ser o lugar onde tudo se cristaliza, sem ser a causa. Tomar uma decisão profissional definitiva nessa configuração é comum, e comumente motivo de arrependimento. Teste prático: imagine que seu chefe seja substituído amanhã por alguém correto, com todo o resto inalterado. Onde você estará seis meses depois? Se a resposta for "bem", o problema é mesmo o que você pensa. Se for "igual", ele está em outro lugar.

Etapa 2: medir o custo de ficar com indicadores, não com o humor

O sentimento não é um mau indicador, mas é um indicador com ruído: sobe no domingo, desce na quarta, desaba depois de um episódio, sobe de novo após três dias calmos. Decidir com base nessa curva equivale a decidir ao acaso.

Quatro indicadores mais estáveis, a registrar durante quatro a seis semanas:

  • O sono. Tempo para pegar no sono, despertares noturnos, despertar precoce já antecipando o dia.
  • A recuperação. Dois dias de fim de semana restauram você? Uma semana de férias restaura? Um trabalho exigente cansa e deixa recuperar. Uma situação que não deixa mais recuperar é de outra natureza.
  • A invasão. Em que medida o assunto ocupa suas noites, suas conversas privadas, sua atenção durante atividades sem relação?
  • O corpo. Manifestações digestivas, tensões, dores, infecções repetidas. São elementos de saúde: conversam-se com um médico, não com um artigo.
  • O registro conta mais do que a pontuação. Quem anota durante seis semanas quase sempre descobre algo que não sabia: ou que é mais regular do que imaginava ou, o que também acontece, que se concentra em dois períodos precisos e está ligado a um ciclo de atividade.

    É isso que permite um registro estruturado como o ScanMyJob: fatos datados, em ordem, sem interpretação. Quando chega a hora de decidir, você não decide mais com base numa lembrança reconstruída, e sim numa série. Volto a isso com mais detalhe em Guia prático de TCC.

    Etapa 3: avaliar sua alternativa antes de negociar

    Em negociação, isso se chama a melhor alternativa ao acordo: o que você fará se nenhum acordo for fechado. Não é um plano B vago, é um plano com números e datas.

    Três perguntas, com respostas escritas:

    • Quanto tempo consigo aguentar sem a renda do meu cargo atual? Reserva disponível, direitos eventuais, despesas inegociáveis. Um número, em meses.
    • Qual é o meu valor no mercado hoje? Não uma impressão: três vagas reais lidas esta semana, com faixas salariais e exigências.
    • Quais são as minhas opções internas? Mobilidade, troca de área, vaga aberta em outro lugar do grupo.
    O interesse desse exercício vai além da preparação da saída. Quem conhece exatamente a sua alternativa se comporta de outro modo no dia a dia, com menos urgência de se justificar e mais capacidade de dizer não a um pedido despropositado. A alternativa age mesmo antes de ser usada.

    Etapa 4: escolher entre quatro posturas, não duas

    A pergunta costuma ser colocada de forma binária, sair ou ficar, quando existem quatro posturas, e a quarta é aquela em que se cai por padrão.

    Sair. A saída. Tem um custo e um valor, e se prepara: uma saída preparada não tem nada a ver com uma saída decidida numa terça à noite. Fazer-se ouvir. Ficar agindo: pedir uma reunião formal, procurar um representante dos funcionários, formalizar uma dificuldade por escrito, solicitar uma mobilidade. É a opção mais exigente e a única capaz de modificar a situação no local. Permanecer leal. Ficar aceitando, porque o horizonte é curto e conhecido: uma aposentadoria anunciada, uma reorganização já decidida, o fim de um projeto. Essa postura só é sustentável se o horizonte for datado e verificável, e não apenas esperado. Retirar-se sem dizer nada. Permanecer fisicamente, desinvestir sem formular isso. É a postura mais frequente e a única que não leva a lugar nenhum: a situação não muda, sua posição se deteriora e a retirada acaba sendo cobrada de você.

    A única escolha realmente ruim é a quarta, não por ser covarde, mas porque não produz nenhum movimento.

    O prazo: o ponto que protege dos dois erros

    Dois erros simétricos espreitam. Sair num pico de tensão, sem preparação, perdendo direitos e capacidade de negociação. E ficar por inércia, adiando a decisão de trimestre em trimestre durante três anos.

    O prazo datado protege dos dois. Ele é escrito antes, com seus critérios:

    "No dia 15 de fevereiro, retomo este documento. Se, nos últimos três meses, o sono não melhorou, se os episódios não diminuíram de frequência e se nenhuma mobilidade interna avançou, então começo ativamente a busca externa."

    Escrever os critérios de antemão protege você de si mesmo: no dia chegado, você não os rediscutirá para baixo só porque a semana foi tranquila.

    Dois esclarecimentos necessários

    Sobre o vocabulário. Este artigo fala de comportamentos de gestão observáveis e de seus efeitos mensuráveis sobre você. Ele não qualifica nem a pessoa nem a situação. As palavras que carregam consequências jurídicas, como assédio e discriminação, pertencem ao juiz, e usá-las por conta própria não acelera nada. Sobre a saúde. Se o seu estado piorou, a decisão profissional não é a única a tomar e talvez nem seja a primeira. Procure um médico, que é obrigado ao sigilo médico, para falar do que você sente. Em muitos países, o médico do trabalho também é acessível a seu pedido; informe-se sobre o que existe onde você vive.

    Se você ainda hesita sobre a natureza do que está vivendo, a distinção entre uma gestão exigente e uma gestão que machuca é o pré-requisito de qualquer decisão. E se sair não é possível no imediato, seis alavancas permitem reduzir o custo de ficar.

    Fazer o teste: Meu gestor é tóxico? (teste ainda não disponível em português) — sua dimensão "disposição para a mudança" objetiva onde você realmente está nessa decisão de ficar ou sair.
    Leituras recomendadas:
    • Guia prático de TCC — Gildas Garrec
    • Vaincre l'anxiété et le stress — Gildas Garrec
    Em resumo: a pergunta "saio ou fico" não se resolve pela intensidade do mal-estar, porque essa intensidade varia de uma semana para outra, enquanto a decisão é duradoura. Este artigo propõe um método em quatro tempos: primeiro, desembaraçar o que está em jogo, o gestor, o cargo, a profissão ou o momento de vida, pois esses quatro pedem decisões opostas e costumam ser confundidos; depois, medir o custo real de ficar com indicadores verificáveis em vez do humor do momento, como sono, recuperação no fim de semana, invasão da vida privada e saúde; em seguida, avaliar sua melhor alternativa antes de negociar qualquer coisa, porque quem não tem alternativa também não tem margem; por fim, fixar um prazo datado, com critérios escritos de antemão, o que protege dos dois desvios simétricos: sair num rompante de tensão ou ficar por inércia durante três anos. A grade de Hirschman (sair, fazer-se ouvir, permanecer leal ou se retirar em silêncio) serve de referência: a quarta opção é a única que não leva a lugar nenhum, e é também a mais frequente. Escrevi ainda um livro sobre esse tema, Nossas feridas arcaicas, caso queira ir mais longe.
    Gildas Garrec, profissional TCC

    Sobre o autor

    Gildas Garrec · profissional TCC

    Autor de livros e artigos sobre psicologia aplicada e relacionamentos.

    Was this article helpful?

    Adira à nossa comunidade de troca no WhatsApp

    Aderir à Comunidade (em lista de espera)

    Precisa de acompanhamento personalizado?

    Sessões por videochamada (90 € / 75 min) ou presenciais em Nantes.

    Agendar uma sessão (página em francês)

    Adira ao nosso grupo de troca

    Um espaço de troca no WhatsApp, acolhedor e mediante candidatura — não é uma terapia.

    Aderir à Comunidade (em lista de espera)