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Valorizar-se na avaliação sem se vender demais: prova ou vaidade


Exploro essa questão em Guia prático de TCC.

Há uma ordem contraditória comum na avaliação anual: pede-se a alguém que diga quanto vale, numa cultura profissional em que fazer isso é malvisto. A maioria das pessoas resolve a contradição não dizendo nada, e paga por isso durante todo o ano seguinte.

A saída não é encontrar a dosagem certa entre modéstia e afirmação. É mudar de objeto.

O deslocamento que resolve o problema

Compare três frases sobre a mesma realidade.

"Eu me dediquei muito ao processo de validação este ano, me desdobrei."
"Acho que fui bastante eficaz no processo de validação."
"O processo de validação foi retomado em abril. O prazo médio passou de nove para quatro dias entre abril e setembro."

A primeira fala do seu esforço. A segunda fala do seu valor. A terceira fala do que mudou no trabalho — e é a única que não coloca nenhum problema de dosagem, porque não fala de você.

Esse é todo o mecanismo. Uma valorização soa pretensiosa quando traz um julgamento, e some quando trata do esforço. Ela passa quando trata de um estado do trabalho antes e depois.

Você não precisa dizer que está bom. Precisa dizer o que aconteceu, com um número e uma data. A apreciação, seu interlocutor fará por conta própria — e uma apreciação que a pessoa faz por si é infinitamente mais sólida do que uma apreciação que lhe pedem para compartilhar.

A fórmula de quatro elementos

Cada realização se diz em quatro partes, nesta ordem, em duas ou três frases.

  • 1. O fato — o que foi feito, em que data.
  • 2. O contexto — a restrição em que isso foi feito, numa oração intercalada.
  • 3. O efeito — o que mudou, quantificado se possível, datado sempre.
  • 4. A prova — onde isso pode ser verificado.
"O processo de validação foi retomado a partir de abril, durante o período de substituição de X. O prazo médio passou de nove para quatro dias entre abril e setembro, e não houve mais cobrança de cliente por esse motivo desde junho. Está na planilha de acompanhamento e foi apresentado no comitê de 12 de setembro."
Por que o contexto é a parte que sempre falta. Um resultado sem contexto é um resultado comum; o mesmo resultado obtido durante uma ausência, uma troca de ferramenta ou uma reorganização muda completamente de valor. E mencioná-lo não é queixa, desde que se dedique a isso uma oração e não um parágrafo. Por que a prova conta mais do que se imagina. Ela não serve para convencer seu interlocutor, que em geral acredita em você. Serve para que ele possa levar o número a outro lugar — numa calibragem, diante do próprio gestor, numa decisão a que você não assistirá. Um número com fonte se transporta; uma boa impressão, não.

Reencontrar a matéria-prima: o ano já está escrito

O verdadeiro obstáculo à valorização não é o pudor: é o esquecimento. A memória retém os três últimos meses e dois episódios intensos, e apaga o resto — inclusive o que mais valeria.

Ora, o ano existe, datado, nas trocas profissionais: os pedidos recebidos e seus prazos, os agradecimentos, os alertas levantados, os períodos de sobrecarga, as reuniões realizadas, os dossiês assumidos. Uma releitura sistemática produz sempre o mesmo efeito — redescobre-se o primeiro semestre, completamente apagado, que representa metade do período avaliado.

É isso que o ScanMyJob permite reconstituir a partir das próprias trocas: a cronologia real, os volumes, os momentos. Sem acrescentar nada e sem concluir nada.

Os três casos realmente difíceis

1. O trabalho invisível

A substituição de dois meses, o acompanhamento de um recém-chegado, as seis reuniões de recuperação depois de um incidente, a retomada de um dossiê abandonado. Nada disso consta das metas, e isso às vezes representa um terço do ano.

Como dizer: quantificando em tempo e em efeito, nunca em dedicação.
"De maio a outubro, assumi o escopo de X além do meu — o equivalente a um dia e meio por semana durante seis meses. Os dois escopos cumpriram os prazos; o que atrasou foi o projeto Z, que eu havia sinalizado em junho."
O que não fazer: apresentá-lo como um sacrifício. "Fiz o trabalho de duas pessoas" pede uma resposta defensiva e faz a conversa escorregar para a queixa. A mesma informação, quantificada, produz exatamente o efeito buscado sem custo.

2. O resultado coletivo

É a situação mais delicada, porque os dois erros são visíveis aí: atribuir a si o todo e desaparecer no "nós".

A solução está numa estrutura: o coletivo primeiro, sua parte depois, com precisão.
"A equipe entregou a reformulação em outubro. O que carreguei nisso foi a parte de migração: o planejamento, os testes e a virada. Foi a parte que atrasou duas semanas, e passou sem incidente no fim de semana do dia 12."

Repare na última frase: reconhecer o atraso antes de dizer que a virada correu bem torna o conjunto crível. Um relato sem aspereza é um relato que ninguém escuta.

3. O resultado que não aconteceu

O incidente evitado, a crise desarmada, o cliente que não saiu, a contratação que não foi necessária. É a categoria menos reconhecida de todas, porque sua prova é uma ausência.

Como dizer: mostrando o risco e a ação, não o não-acontecimento.
"Em julho, o cliente ameaçou encerrar o contrato — a mensagem do dia 8. Propus o plano de retomada em três pontos, foi aceito no dia 15, e o contrato foi renovado em dezembro."

Sem as datas e sem a mensagem do dia 8, essa realização não existe. Com elas, é incontestável. É o melhor exemplo do que o levantamento do ano permite e a memória não permite.

As cinco formulações que prejudicam um bom dossiê

O adjetivo. "Um trabalho muito sólido", "uma contribuição importante". Ele acrescenta um julgamento onde o número bastava e dá a todo o resto um ar de defesa oral. Retire todos: a fala não perde nada. O superlativo. "O melhor trimestre", "nunca feito antes". Ele pede uma verificação que ninguém fará, mas que todos suspeitam. A comparação. "Em relação a outros". Ela coloca o interlocutor na posição de defender um ausente e desloca a conversa para um terreno que você não domina. A repetição. Voltar três vezes ao mesmo sucesso anula seu efeito. Um resultado se diz uma vez, com a sua prova, e segue-se em frente. A desculpa prévia. "Não quero me elogiar, mas…". Ela anuncia que o que vem a seguir é imodesto — inclusive quando é apenas um número. Entre direto no fato.

O que está em jogo além da avaliação

Dois pontos, muitas vezes descobertos tarde demais.

O que está escrito conta mais do que o que é dito. A ata, o formulário de autoavaliação, o campo de comentários: são esses textos que serão relidos daqui a seis meses por pessoas que não estavam na sala. Um número e uma data valem ali dez linhas de apreciação. Uma valorização anual não compensa uma invisibilidade anual. O que se decide em janeiro se apoia em boa parte no que circulou durante doze meses. Três hábitos mudam isso mais do que uma boa avaliação: enviar um resultado quando ele sai, em vez de no fim do ano; estar presente nas reuniões em que o trabalho é contado; e escrever as atas dos temas que se conduz. Isso não é comunicação: é o que faz um trabalho existir para a organização. Os testes da plataforma permitem fazer um balanço do que trava, quando a dificuldade de se valorizar é mais profunda que uma questão de método — a dúvida sobre a própria legitimidade é a causa mais frequente. O assistente pode ajudar a formular uma realização segundo os quatro elementos.

Três coisas que este artigo não faz

Ele não aconselha a embelezar. Todo o método se apoia no fato de que cada enunciado é verificável — é justamente isso que o torna eficaz, e um único elemento falso anula todo o dossiê. Ele não garante o reconhecimento. Um bom dossiê não decide um orçamento. Decide o que resta dele e o que circula. Ele não descreve ninguém. Trata de fatos datados e de efeitos sobre o trabalho — não do que você seria, nem do que seria seu interlocutor.
Leituras recomendadas:
  • Guide pratique de TCC — Gildas Garrec
  • Vaincre l'anxiété et le stress — Gildas Garrec
Em resumo: Valorizar-se numa avaliação fracassa de duas formas opostas, e a maioria das pessoas só conhece uma delas: ou o relato soa falso — adjetivos demais, "eu" demais, uma impressão de defesa oral —, ou ele some, porque fica no nível do esforço feito e não do resultado produzido. Este artigo mostra que os dois fracassos têm a mesma causa: fala-se de si em vez de falar do que mudou. Ele propõe uma fórmula de quatro elementos — o fato, o contexto, o efeito, a prova — que torna o relato ao mesmo tempo verificável e modesto, sem perder nada. Em seguida trata dos três casos em que a valorização é realmente difícil: o trabalho invisível (as substituições, as recuperações, o acompanhamento de um recém-chegado, que não constam de nenhuma meta); o resultado coletivo, em que a parte pessoal se diz sem atribuir a si o todo; e o resultado que não aconteceu, ou seja, o incidente evitado, que é o mais difícil de fazer valer e o mais mal reconhecido. Por fim, apresenta as cinco formulações que prejudicam um bom dossiê — o adjetivo, o superlativo, a comparação, a repetição e a desculpa prévia — e lembra que uma valorização feita em janeiro não substitui uma visibilidade mantida o ano todo.
Gildas Garrec, profissional TCC

Sobre o autor

Gildas Garrec · profissional TCC

Autor de livros e artigos sobre psicologia aplicada e relacionamentos.

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